O CASO MÉRCIA NAKASHIMA : A IMPORTÂNCIA DA INVESTIGAÇÃO E CONDENAÇÃO EM CASOS DE FEMINICÍDIO



O caso Mércia Nakashima é um dos crimes mais emblemáticos e de grande repercussão no Brasil, envolvendo o assassinato da jovem advogada Mércia Mikie Nakashima, de 28 anos, e a condenação de seu ex-namorado, o ex-policial militar Mizael Bispo de Souza.
O Desaparecimento e o Encontro do Corpo:
 * 23 de maio de 2010: Mércia Nakashima desaparece após almoçar com a família em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela havia recebido uma ligação do ex-namorado, Mizael, e os dois tiveram uma discussão. Ele não aceitava o fim do relacionamento e insistia em reatar.
 * 10 de junho de 2010: Após 18 dias de buscas intensas, o carro de Mércia é encontrado submerso na Represa de Nazaré Paulista, no interior de São Paulo.
 * 11 de junho de 2010: No dia seguinte, o corpo da advogada é localizado na mesma represa. A família reconhece o corpo pelas roupas que ela usava. A perícia aponta afogamento como causa da morte, mas também revela a presença de projétil no carro.
As Investigações e os Suspeitos:
 * Desde o início, Mizael Bispo de Souza se torna o principal suspeito. Ele negava qualquer participação no sumiço e morte da ex-namorada, alegando que estava com uma garota de programa na noite do desaparecimento.
 * A investigação, liderada pelo delegado Antônio de Olim, revelou contradições no depoimento de Mizael.
 * Um pescador que estava na represa no dia do crime forneceu detalhes sobre as características do assassino e de um comparsa.

 * A perícia encontrou, no sapato de Mizael, fragmentos de solo semelhantes aos da represa de Nazaré Paulista.
 * Registros telefônicos mostraram 41 ligações de Mizael para o vigia Evandro Bezerra da Silva no mês do crime, sendo 16 delas no dia do desaparecimento de Mércia, com um celular que não estava no nome de Mizael. Isso contradizia a alegação de Mizael de que não era próximo de Evandro.
 * 25 de junho de 2010: A prisão preventiva de Mizael e Evandro é decretada pela Justiça de Guarulhos. Ambos passam a ser réus no processo.
 * Evandro Bezerra da Silva, o vigia, é preso em Sergipe. Inicialmente, ele confessou ter ajudado Mizael a fugir, mas posteriormente alegou ter sido torturado para confessar.
O Julgamento e a Condenação:
 * Mizael Bispo de Souza e Evandro Bezerra da Silva foram acusados de homicídio doloso triplamente qualificado (por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima) e ocultação de cadáver.

 * Março de 2013: Mizael Bispo de Souza é julgado e condenado em júri popular no Fórum de Guarulhos. A conduta do acusado foi considerada repugnante e desprezível pelo juiz.
   * Inicialmente, Mizael foi condenado a 20 anos de prisão.
   * Em 2017, a pena foi aumentada para 22 anos e 8 meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) após recurso do Ministério Público.
 * Agosto de 2013: Evandro Bezerra da Silva, o vigia, é julgado separadamente e condenado a 18 anos de prisão por ajudar Mizael.
Desdobramentos e Repercussão:
 * Mizael Bispo de Souza permaneceu foragido por cerca de dois anos antes de se entregar à polícia em março de 2012.
 * O caso Mércia Nakashima gerou grande comoção e repercussão nacional, sendo amplamente coberto pela mídia.
 * A família de Mércia, especialmente seu irmão Márcio Nakashima, teve um papel ativo na busca por justiça, participando de investigações paralelas e pressionando as autoridades.

 * Em 2022, Mizael Bispo de Souza foi expulso da Polícia Militar e teve seu porte de arma cassado. A aposentadoria foi mantida por ele já ser reformado na época do crime.
 * Em maio de 2023, Mizael Bispo foi excluído da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), perdendo o direito de exercer a advocacia.
 * Em agosto de 2023, Mizael obteve a progressão para o regime aberto, após cumprir 11 anos de prisão.
 * Houve tentativas de Mizael de buscar o "direito ao esquecimento" na Justiça para impedir a veiculação de reportagens e documentários sobre o caso, mas seus pedidos foram negados, entendendo a Justiça que o interesse público na fiscalização do cumprimento da lei penal se mantém até a extinção da pena.
O caso Mércia Nakashima se tornou um símbolo da violência contra a mulher e da luta por justiça, destacando a importância da investigação e condenação em casos de feminicídio.